Agrotóxicos, bom pra quem? - por Raquel Franco

Agrotóxicos, bom pra quem? - por Raquel Franco

Você seria capaz de mensurar o valor da vida? Se pudesse quantificar em qualquer escala de valor, qual seria o valor atribuído à vida?


Século XXI. O ano é 2019. No dia 22 de julho o Ministério da Agricultura aprovou o registro de 51 novos pesticidas, totalizando 262 nos últimos 6 meses do atual governo; o maior número de aprovações dos últimos 10 anos. 

O que o Ministério e a Indústria do Agronegócio chama de “defensivos” – uma clara tentativa de minimizar os efeitos nocivos à saúde dos venenos usados nas plantações agrícolas – a realidade nua e crua chama de veneno.

Segundo Larissa Bombardi, geógrafa da USP e uma das maiores pesquisadoras do país acerca do uso de agrotóxicos – autora do maior compilado de uso e impacto dessas substâncias no cultivo brasileiro o Atlas: geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Européia – pelo menos 30% dos agrotóxicos autorizados no Brasil não chegaram a serem autorizados ou foram banidos na Europa (fonte: revista Época de 05.08.19). 

O curioso é que enquanto na Comunidade Europeia a política adotada é a precaução, no Brasil é necessário provar que um produto é nocivo para que o uso em plantações não seja mais permitido.

Diversos estudos apontam que o uso indiscriminado de agrotóxicos causam efeitos muito nocivos ao sistema imunológico e endócrino - abrindo a porta para doenças como câncer e diabetes, entre outras - o que nos leva a pensar se não existem interesses de grandes corporações muito claros para que a agricultura se torne mais um commoditie a ser negociado no mercado financeiro em detrimento da saúde e segurança alimentar da população. 

Não se iluda, são os impostos que moldam a alimentação da população; alimentar-se bem é um ato político em um país que subsidia fortemente produtos processados e ultraprocessados, o agronegócio que vive a base de agrotóxicos e monocultura, em detrimento da agricultura familiar e produção de alimentos orgânicos; que são altamente taxados em impostos e regras que tornam a produção mais cara e difícil de competir com os alimentos impregnados de veneno, que recebem crédito altamente facilitado pelo governo. 

Mas existem ações diretas que nos cabem e visam contribuir para que esse cenário efetivamente mude.

Ao priorizar feiras e pequenos produtores de alimentos orgânicos você valoriza e escoa a produção local consumindo alimentos da época e sem tóxicos que prejudicam sua saúde.

Mas isso vai além do consumo individual: precisamos lutar por políticas que incentivem a agricultura familiar com impostos menores para que assim, o acesso a esses alimentos seja mais democrático. 

Mas com tantas informações negativas fica difícil vislumbrar uma saída concreta e urgente para o caos no qual parecemos estar imersos. 

Nestes momentos precisamos por alguns momentos nos afastar do macro (internet e notícias) e focar no micro (nossa qualidade de vida e saúde mental); buscar atividades que visem a manutenção de nosso bem estar e de fato contribuam para o desenho de um mundo melhor. 

A prática do yoga nos permite despertar para o entendimento do nosso corpo como instrumento de auto aperfeiçoamento da mente. Os asanas (posturas) no yoga apenas trabalham o corpo para alcançar uma mente mais equânime, este sim, o real objetivo de uma prática. 

Embora haja inúmeros benefícios para a saúde física, eles não são nem devem ser o objetivo principal de uma prática; o domínio da mente perene deve ser sempre a  motivação de um praticante. 

Segundo B.K.S. Iyengar “o seu corpo vive no passado e a sua mente no futuro. No yoga eles se unem no presente.” Meditação, Pranayamas (técnicas respiratórias) e prática de asanas (posturas físicas) são alguns dos passos para se viver uma vida de yoga na busca da consciência maior de si mesmo que permeia todo ser humano. 

No tapetinho nos confrontamos com quem realmente somos; encontramos nossos desafios, limitações, medos e perturbações como verdadeiros mestres a nos ensinar a trabalhar nossas inquietudes por meio da aceitação de quem se é e o trabalho constante no aperfeiçoamento de quem se deseja ser. 

Em tempos nos quais tudo parece desconectado, frágil e obscuro, o caminho a se tomar é a jornada para dentro em busca da força que precisamos para nos reconectarmos com o todo.

Somos parte integrante de um ecossistema e nos desconectamos a medida que não respeitamos nossa presença nesse meio. 

Temos um importante papel a cumprir na preservação da nossa casa maior, o planeta Terra, que nos acolhe e fornece todos os recursos para que nossa vida seja plena, nutrida e completa.

Quando desprezamos nosso papel de cuidadores desse meio, nos afastamos de nosso propósito máximo de preservar a vida. 

E é por meio da união de uma consciência coletiva que entende fazer parte de algo maior que se conecta a tudo que vamos resgatar nossa verdadeira essência em comunhão com a biodiversidade da qual fazemos parte. 

A Amazônia é a essência da manifestação da grandeza que a diversidade do planeta e nos brinda para que possamos viver harmonicamente.

O resgate dessa consciência começa em nossas atitudes como seres conscientes de nossas escolhas de interação com a natureza, desde como pensamos nosso consumo até nossas escolhas individuais que geram impacto coletivo. 

Repense e reflita sobre o que em sua vida é necessidade e o que é o capricho do querer; esse simples filtro, antes de adquirir algo, é capaz de mudar sua relação com as coisas. Coisas são supérfluas, e quando nos dispomos a eliminar aquilo que é inútil, que só faz volume, que traz peso e ocupa espaços maiores do que os necessários, percebemos que ficamos com mais espaço para aquilo que realmente é essencial. 

Se engaje em movimentos transformadores no seu bairro, consuma alimentos naturais de pequenos produtores agroecológicos de sua região, adquira produtos que possuem um desenho sustentável e tragam saúde e menor impacto ao meio ambiente; não adianta apenas reciclar, o importante é reduzir o consumo! Nas palavras da Monja Coen “A consciência é o grande fator de transformação da humanidade.”

Adquira conhecimento. Repense. Reflita. Mude.






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