O início da Chá Dao: Mochilão pelo sudeste asiático

O início da Chá Dao: Mochilão pelo sudeste asiático

No final do ano de 2015 nossa criadora, Martha Pedalino, resolveu comprar uma passagem para Hong Kong com o objetivo principal de visitar seu irmão, que morava há 2 anos no Vietnã, e claro conhecer um pouco da cultura oriental.

Ela percorreu lugares como: China, Vietnã, Camboja, Laos e Tailândia. Planejar uma viagem internacional tem seu nível de dificuldade, um mochilão pela Ásia tem quase o triplo de dificuldades, mas no final vale muito a pena.

Ela conta um pouquinho mais sobre a trip e como surgiu a ideia de criar a Chá Dao:

Hong Kong & China

A chegada foi por Hong Kong, totalizando 36 horas no avião e aeroportos, que nos recebeu muito bem. Movimentada e cosmopolita, Hong Kong é uma ilha no sudeste da China, que tem uma densidade demográfica altíssima e o maior número de arranha-céus do mundo!

É um lugar que mistura um pouco da tradição chinesa à modernidade Europeia, fruto da colonização inglesa que por 156 anos esteve presente na ilha. Após esse período, tornou-se uma região administrativa especial da China e permanece ainda hoje como um grande centro financeiro e portuário da Ásia.

Acima está uma de minhas páginas do meu caderno de anotações

Passados 4 dias resolvemos ir para o sul da China, e pegamos o trem, pois era a opção mais barata. Digamos que não foi a melhor experiência e eu não aconselho a fazer sozinha.

Quando você sai dos grandes centros os chineses não estão tão acostumadas a verem ocidentais, principalmente nos vagões "populares". Pelo menos a minha experiência foi passar 3 horas com um grupo de chineses (todos homens) indo até o meu acento e me olhando por cerca de 20 minutos parados, como se eu fosse uma alienígena.

Vende-se de tudo que é tipo de coisas nos vagões, desde escova de dentes a macarrões instantâneos. Passadas as horas iniciais todos se acomodam em bancos desconfortáveis, soltam suas flatulências sem nenhum pudor, e tentam dormir.

Esse chinês estava no banco, ao meu lado, e depois de me observar bastante caiu no sono. Detalhe no saquinho pendurado - muito comum - onde eles tomam sopa em um saquinho plástico com canudo.

Paramos em Kumming, em um hostel, e percebemos que as informações em inglês ficavam cada vez mais distantes.



Acima os mapas colados no mural com as principais atrações locais

 

Escolhemos visitar Yangshuo, na cidade Guillin, que oferece um cenário maravilhoso, em particular ao longo do Rio Li às margens da montanha, o qual você pode explorar de barco ou de balsa de bambu, se desejar algo mais rústico. As ruas foram mantidas em seu estilo original, preservando o desenho da antiga cidade:

Essas porções de mini montanhas cobrem os vilarejos (que por sinal todos têm ciclovias). Dá pra ficar o dia todo rodando por lá:

guillin yangshuo china

Para chegar nesse local pegamos um ônibus, que nos levou a uma viagem na minha cabeça: Achei que as plantações que via pela janela eram de chá. Porém nada mais são do que flores de Canola, para produzir o óleo:

Kumming Dali

A China toda tem sempre uma lojinha de chás charmosa, que é impossível de você não entrar. Apesar dos atendentes falarem pouco inglês, você consegue saborear as infusões e aprender um pouco da cultura.

Numa das lojas conhecemos esse homem, que por sinal foi muito gentil com a gente, e explicou que a palavra DAO, em chinês, significa: Tea ceremony.

cerimônia do chá tea dao yangshuo

 É daí que vem nosso nome: CHÁ DAO :)

Durante uma semana nos hospedamos no Couchsurfing, e em troca tínhamos que participar das aulas de conversação de um curso de inglês para chineses.

Conhecemos cada aluno, e eles nos contaram que seus principais objetivos, em aprender a língua, era para comercializar mais com o ocidente. E a maioria deles trabalhavam em fábricas.

cha dao tea cerimony yangshuo

Esses são nossos amigos chineses, que praticavam o inglês e aproveitavam para apresentar mais da região

Uma curiosidade é que quando você entra em uma loja de chás, é para

passar no mínimo umas 2 horas. Vários jovens, entre 20-30 anos, se encontram nessas casas como uma opção de entretenimento.

O dono da loja vai servindo diversos chás, de pouquinho em pouquinho, para degustação. Existem chás mais caros, mais baratos, com diferentes tipos de colheita, assim como o vinho.

cha dao tea cerominy yangshuo guillin

Essa mesa de madeira é toda perfurada, onde ele vai descartando os 
restos do chá do bule, para servir novamente em outro. 

Os chás na China são servidos em pequenos potinhos de porcelana, para consumir sempre quente a bebida. Por sinal a temperatura para eles é fundamental. Utilizam as chaleiras elétricas, que medem também os graus exatos, tipo: 86 graus. Bem diferente daqui, que é só "borbulhar", desligar a água e colocar a erva.

Uma lição bem legal que aprendi é sempre cheirar o chá antes de beber, assim você intensifica o sabor e o paladar.

Eles amam tomar chá comendo essa semente de girassol. 

  Seguindo viagem chegamos em Dali, província de Yunnam:

Dali yunnam

Essas altas montanhas, com neve no topo, dão o charme ao local. Lá foi onde trouxe as famosas rosas, que fizeram sucesso com os clientes, que conseguiram passar na feira da Junta Local para comprá-las, em 2016.

casa de chás dali yunnam
Nessa foto acima, é possível tem uma noção maior de como essas casas de chá são: prateleiras cheias de chás prensados em forma de discos, com essa mesa, com amostrar para te servir.
chá dao

Essa é uma foto para registrar eu no hotel, estudando os
passos da Cerimônia do Chá

cha dao

Essa senhora nos vendeu chá gelado numa escadaria de um prédio. Ela adicionava essas gelatinas, parecidas com macarrão, na bebida. Não senti tanto sabor, mas é bem popular para os chineses 

Uma das páginas com tickets, cédulas e comprovantes do banco da China

No Brasil 

Por onde eu passava, ia comprando chás e colocando na mala. Cheguei no Rio de Janeiro com diversos sabores e novidades de chás. Não sabia ao certo o que fazer com todos aqueles pacotes, que eu mal conseguia traduzir os rótulos. Mas, aos poucos, percebi que o ritual do chá só fazia sentido de forma compartilhada.

Dei muita sorte de ter encontrado a Junta Local, feira que abracei, e pude trocar o que aprendi nessa viagem com as pessoas que circulavam nas ruas da minha cidade.

Além disso, com a minha formação em design, comecei a criar os rótulos e embalagens, inspiradas no que vivenciei nessa viagem, especificamente no Vietnã, que utiliza muitas folhas de bananeira e milho.

Finalizo esse post com essa foto tirada no chão da minha casa, com as embalagens prontas, e testando como ficaria minha barraca na feira do dia seguinte.

cha dao

Cha dao

É extremamente feliz escrever esse texto em 2018 e ver que as plantas, mais amplamente falando: a natureza, me apoiou até hoje. Vivo disso e pretendo viver ainda mais! Continuo nesse caminho, que vai além dos chás.

 

 

 


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